A minha paixão por vinhos vem crescendo a cada dia. E quanto mais eu aprendo, mais eu vejo que estou longe de ser um especialista. Gostaria de colocar neste post um pouco do que aprendi sobre a relação entre o vinho e o prazer.

A primeira coisa que aprendi é que o prazer de tomar um vinho vem mesmo antes de comprar uma garrafa.

No momento que escolhemos comprar um vinho já criamos a expectativa de quando iremos abri-lo.

As vezes estamos em um supermercado e decidimos que iremos passar pela prateleira e levar um vinho mais simples apenas para acompanhar aquela noite sem promessas. E então percebemos que a noite se torna mais agradável, pois o vinho escolhido fez seu papel, nos deu um pequeno momento de prazer que nem ao menos esperávamos naquela ocasião.

Outras vezes decidimos sair de casa e ir até uma casa especializada para escolhermos um vinho especial que não será nem ao menos tomado naquele dia, mas será guardado para uma ocasião especial. Nesta hora, escolhemos uma boa loja de vinhos, que sabemos será um ótimo local para passar um tempo adorando velhos rótulos ou pesquisando novos e aprendendo um pouco mais sobre o mundo dos vinhos. Quando pedimos ao sommelier da casa uma sugestão, compramos um dos velhos rótulos já antes enamorados ou ainda quando resolvemos selecionar um vinho às cegas por sua região, corte ou apenas pela empatia com a garrafa, é nessa hora que começa nosso prazer.

Existem também aqueles momentos em que resolvemos fazer uma compra pela internet, e neste caso, já temos a compra como um ato mecânico. Nesta hora, sabemos que o tempo de expectativa irá gerar um prazer no dia em que a compra chegar à nossa residência.

É obvio para muitos que o maior prazer que temos com um vinho é mesmo no momento da degustação. Mas a degustação apenas não é o que torna o vinho prazeroso.

Um mesmo vinho tomado sozinho, acompanhado de amigos ou ainda com a pessoa amada, tem o mesmo sabor, mas nos traz prazeres diferentes.

O prazer que temos em degustar um vinho está, em boa parte, no período entre o abrir de uma garrafa e o primeiro gole. Levar o vinho a uma temperatura adequada, deixá-lo repousar, servir as taças, observar, sentir o aroma e enfim, sentir o sabor do vinho escolhido.

É o tão esperado “primeiro beijo” em que nos preparamos sem saber o que esperar, com a expectativa de que será bom, mas com a incerteza do que vem pela frente e que nos faz pensar em como serão os próximos goles.

Os goles subseqüentes são apenas uma afinação entre o vinho e nossos cinco sentidos. E, embora não haja mais o prazer de uma descoberta., ainda encontramos grande satisfação nessa afinação a cada gole.

Quando comecei a me interessar por vinhos, li muito a respeito, fiz algumas degustações dirigidas e uma das coisas que aprendi em todos os lugares  é algo que me faz pensar atualmente. Todos dizem que devemos anotar as impressões que temos de um vinho todos os aromas e sabores que descobrimos nele. E por muito tempo me preocupava com isso. Existem diários especializados nessa atividade.

Concordo que, se um vinho é espetacular, vale a pena sim marcar seu nome e escrever algo que nos remeta à lembrança do porquê o achamos espetacular. Porém, fora de uma degustação técnica, não vejo sentido em se preocupar com tal procedimento.

Acho importante sabermos distinguir odores, sabores, e conhecer o vinho por suas características, por isso aconselho a todos que saiam de casa, sintam o cheiro do jardim depois de uma noite de chuva ou um dia quente de sol. Passem em uma banca de frutas, compre algumas poucas e passem a semana sentindo o aroma e memorizando cada uma dessas frutas. Repitam isso na próxima semana com outras frutas (não levem toda banca de uma vez) e façam o mesmo com especiarias (toda cidade tem um Mercado Municipal e esse é o melhor lugar para se fazer tais compras).

Acredito sim que, se você pretende se tornar uma assumidade no assunto, um Robert Parker, você deve sim anotar, estudar e guardar toda sensação que o vinho venha a transmitir. Porém, eu me preocuparia mais em aprender a saborear tudo o que está à minha volta com mais atenção e deixaria as anotações para os profissionais da área.

Afinal, o que realmente importa são as lembranças que guardamos dos momentos em que estávamos envoltos com o vinho e o prazer que ele nos proporcionou.

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