Em alguns países vinicultores existem leis que denominam a qualidade da produção de um vinho.

Quando falamos de denominação de qualidade, não significa que os vinhos com maior controle (os que recebem as melhores denominações) serão os melhores vinhos.
Existem vinhos que não seguem o controle de qualidade estabelecido pelas legislações de seu País e estão entre os melhores do mundo. A qualidade do vinho tem muito mais a ver com a uva utilizada, a terra onde é cultivada e a experiência do produtor. Claro que os Vinhos que levam em seu rotulo os mais altos títulos de qualidade levam vantagem sobre aqueles sem controle nenhum. Por isso sempre é bom conhecer um pouco mais do que se está comprando para saber o que esperar de uma garrafa de vinho.

A França tem uma das mais extensas legislações vinícolas do mundo. Implementada nos anos 30, a lei de Appellation d´Origine Controlée (AOC) é modelo para todas as vinícolas da União Européia.O sistema se baseia no princípio de que locais geográficos distintos ( e não cepas isoladamente) são responsáveis pelo sabor e caráter particular de cada vinho. As fronteiras de cada região são claramente definidas, e os produtores seguem normas rígidas.

Vin de Table – (Vinho de mesa) – Constituem a maior parcela da produção do pais .No entanto, são os vinhos de menor qualidade e não podem conter no rótulo o nome de nenhuma região, sub-região ou vinhedo específico, mas apenas a expressão Vin de France.

Vin de Pays – (Vinhos da Terra ou da Região) – São de qualidade superior aos Vin de Table, elaborados segundo regras bem restritas e provenientes de regiões não AOC pequenas, como departamentos ou províncias, distritos, comunas ou cidades, dos quais recebem a denominação. Existem 95 diferentes regiões de vin de pays espalhadas por todo o país, mas a maioria é proveniente do sul do país, especialmente a região da costa mediterrânea, denominada Midi.

Apellation d´Origine Vin Délimité de Qualité Supérieure (Vinhos Delimitados de Qualidade Superior) – A.O.V.D.Q.S. – Provêm de regiões vinícolas também delimitadas, mas de menor prestígio do que as AOC Constituem o segundo grau na hierarquia de qualidade dos vinhos franceses.

Appellation d´Origine Controlée (Vinhos de Denominação de Origem Controlada) – AOC. – são os vinhos de melhor qualidade, provenientes de regiões delimitadas, denominadas AOC, dentro das quais existem sub-regiões também AOC, cada uma com sua classificação hierárquica para seus vinhos. Existem cerca de 400 AOC e delas provêm os melhores vinhos da França que, no entanto, correspondem a apenas 29% da produção total do país Algumas destas AOC. utilizam a denominação “Cru” para os seus melhores vinhos. Os melhores exemplos são o Grand Cru, Premier Cru, Deuxième Cru, etc. e o Cru Bourgeois, em Bordeaux, e o Premier Cru, Grand Cru e o Grand Vin na Bourgogne.

Na Itália ,a introdução do marco regulatório em 1963 , trouxe ao mesmo tempo avanços e diferenças peculiares para a cultura vinícola em todo o país. As rígidas regras para a obtenção da classificação DOC melhoraram as exigências em relação ao manejo da videira, à escolha das cepas do corte, do método de vinificação, entre outras questões técnicas.

Uma nova legislação vinícola introduziu novos conceitos como IGT e tornou mais maleável algumas das regras anteriores – deu força para a recuperação do Chianti, que foi elevado à categoria de DOCG (Denominazione d’Origine Controlatta e Garantita). Ao mesmo tempo em que a denominação dava mais prestígio a todos os vinhos da região, limitou a adição de uvas brancas e abriu espaço para a utilização de 10% de uvas não-tradicionais, como Cabernet Sauvignon – permitindo que bons vinhos feitos com este corte ganhassem o direito de usar a denominação Chianti ou Chianti Classico, de acordo com a região.

Vino da Tavola – são, em geral,vinhos de qualidade inferior, de qualquer procedência geográfica e não podem ter no rótulo o nome da uva, nem a safra, nem a região. Constituem cerca de 80% dos vinhos da Itália. Existem alguns poucos Vinos da Tavola de ótimo nível, por não se enquadrarem nas normas das DOC e DOCG.

Indicazione Geografica Tipica (IGT) – Essa denominação foi instituída a partir de 1992 e é aplicada em cerca de 150 vinho de mesa elaborados em regiões geográficas específicas (uma província, uma comuna ou parte delas, tais como, uma colina, um vale, etc.).
No rótulo podem constar o nome da uva, a safra, a região e o tipo de vinho (frizzante, amabile, novello, etc.)

Vini Tipici – Equivale ao Vin de Pays da França e, apesar de criada em 1989, continua sem uma normatização precisa. Pretende-se aplicar essa designação a vinhos de mesa diferenciados, com tipologia definida.
Atualmente, esses vinhos são incluídos na contagem dos Vini di Tavola, mas espera-se que venham a constituir cerca de 40% dos vinhos italianos.

Denominazione di Origine Controllata (DOC)

Qualificação criada em 1963, é atribuída aos vinhos provenientes de cerca de 300 regiões vinícolas delimitadas que podem ser uma pequena área, uma província ou uma área geográfica ainda maior.

Sua quantificação é complicada, pois algumas regiões, como Valle d’Aosta e Chianti, possuem diversos vinhos de distritos diferentes, mas são contadas como uma única DOC.

Apenas cerca de 15% dos vinhos italianos pertencem às DOCs e são elaborados com tipos específicos de uvas para cada região e por métodos específicos de vinificação.
Cerca de 850 vinhos possuem a designação DOC e, junto com os DOCG, representam apenas cerca de 20% dos vinhos italianos.

Denominazione di Origine Controllata e Garantita– (DOCG) – criada em 1982, abrange os melhores vinhos da Itália. Os vinhos que possuem essa descrição provêm de uma região demarcada, e tem que obedecer a regras de produção máxima por hectare, as variedades que podem ser cultivadas, os vinhos passam por análise química e degustação.

Supertoscanos (os fora da lei) Alguns vinhos italianos, considerados entre os melhores do país e do mundo, classificam-se apenas como Vino da Tavola ou IGT, por não se enquadrarem nas normas das DOC e DOCG (tipos de uva, métodos de vinificação, etc.) e, por isso, são apelidados de “os fora da lei”. Na Toscana são chamados de Supertoscanos. (a idéia é simples. Como todo italiano é briguento e alguns produtores “foras da lei” sabem que seu vinho é bom, esses produtores mandaram a legislação vinicula  italiana “a fanculo” )

 

Na Espanha, em 1997 teve inicio  o estudo de uma nova legislação sobre o vinho. Que entrou em vigor em apenas 6 anos mais tarde.
A nova “Ley de la Viña y del Vino” passou a substituir o “Estatuto de la Viña, del Vino y los Alcoholes” de 1970.

A nova lei criou novas categorias de vinhos e melhorou a definição das existentes, representando importante avanço junto às determinações da União Européia e à competitividade exigida pelo comércio internacional.

Vino de mesa – vinho inferior, cuja produção pode ser feita em qualquer região do país, e que não se enquadra na categoria Denominación de Origen (a essa altura você já entendeu que todos os países têm vinhos que são aqueles que não passam por nenhuma legislação e em sua maioria são vinhos de baixa qualidade.chamados vinhos de mesa).

Vino de la Tierra – vinho de mesa um pouco mais diferenciado, produzido em região vinícola tradicional do país (Andalucía, Castilla-La Mancha, etc.), e que não se enquadra na categoria D.O..

Vins de Calidad Con Indicación Geográfica

Essa categoria é uma nova categoria que  abriga vinhos de maior qualificação e personalidade que os Vinos de Mesa e Vinos de la Tierra e servindo como categoria de acesso para as D.O..

(Essa categoria equivale hierarquicamente à IGT da Itália e aos vinhos Regionais de Portugal.)

Produzido e elaborado com uvas procedentes de uma determinada região, comarca ou localidade, cuja qualidade, reputação ou características se devam ao meio geográfico, ao fator humano ou a ambos, no que se refere à produção da uva, à elaboração do vinho e a seu envelhecimento.

Denominación de Origen (DO) – vinho de qualidade, produzido em região delimitada e sujeito a severas regras que regulam as características do solo, os tipos de uvas utilizadas, o método de vinificação, o teor alcoólico, o tempo de envelhecimento, etc. equivale a AOC francesa e à DOC italiana.

As D.O. são regulamentadas e fiscalizadas pelo Conselhos Reguladores, que cuidam das delimitações de território, seleção e autorização de variedades de uvas, determinação e acompanhamento do plantio de vinhedos, análise dos vinhos produzidos e sua certificação.

Vino de Denominación de Origen Calificada(DOCa)  – são vinhos que sustentam a qualidade de produção. Para que o vinho seja considerado um DOCa ele deve ser reconhecido como DO pelo menos a dez anos .Tem que  contar com um sistema de controle desde a produção até a comercialização garantindo qualidade e um controle químico e sensorial por lotes homogêneos de volume limitado,alem de outras exigências como delimitação cartográfica.

Vinos de Pagos – são originários de um lugar com características próprias de solo e microclima que o diferenciam e distinguem de outros, conhecido por um nome vinculado de forma tradicional e notória ao cultivo de vinhedos dos quais se obtenham vinhos com predicados e qualidades singulares, e cuja extensão máxima será regulamentada. Entende-se que existe vinculação notória com o cultivo de vinhedos quando o nome do pago venha sendo utilizado de forma habitual no mercado para identificação de seus vinhos pelo menos por cinco anos.
Caso a totalidade do pago se encontre incluída no território de uma DOCa, poderá receber o nome de Pago Calificado, desde que cumpra os requisitos exigidos para os vinhos daquela DOCa.

 

Classificação dos Vinhos Portugueses

Os vinhos portugueses estão classificados em quatro níveis de qualidade:

Vinho de Mesa – Vinho inferior, cuja produção pode ser feita em qualquer região do país, e que não se enquadra nas categorias mencionadas a seguir. Não podem ter no rótulo nenhuma referência a uma região de produção.

Vinho Regional Vinho de qualidade superior ao vinho de mesa, produzido com, no mínimo, 85% de uvas provenientes da região especificada. Hoje existem muitos vinhos regionais de qualidade igual ou superior à de vinhos DOC, havendo inclusive alguns bons produtores que, por não concordarem com as regras impostas pela comissões reguladoras dessa categoria, passaram a rotular seus vinhos como regionais.

Vinho de Denominação de Origem Controlada (D.O.C.) – Teoricamente é a categoria de mais alto nível de qualidade e identifica o vinho produzido em região delimitada, sujeito a regras mais restritas quanto à procedência e variedades de uvas utilizadas, o método de vinificação, o teor alcoólico, o tempo de envelhecimento, etc. Equivale à AOC francesa, à DOC italiana e à DO espanhola.

Vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada (V.Q.P.R.D.)

Para atender ao Mercado Comum Europeu foi criada a nomenclatura Vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada (V.Q.P.R.D.) que engloba as IPR e as DOC. Também foram criadas denominações análogas para os vinhos espumantes e licorosos: V.E.Q.P.R.D. (Vinho Espumante de Qualidade Produzido em Região Determinada) e V.L.Q.P.R.D. (Vinho Licoroso de Qualidade Produzido em Região Determinada).

 

Na Alemanha existem duas classificações para “vinhos de qualidade”

Qualitätswein bestimmter Anbaugebiete (Vinhos de qualidade de uma determinada região de cultivo) ou apenas – QbA  (Deus salve as siglas )

Prädikatswein (Vinhos com predicado). denominação criada a partir de  2006 antes conhecida como Qualitätswein mit Prädikat(Vinhos de qualidade com predicado),

Os critérios para carregar o “Amtliche Prüfungsnummer” (A.P.-Nr) são basicamente:

• a indicação da origem geográfica do vinho
• uma mínima qualidade da colheita, relacionada ao grau glucométrico (teor de açúcar)
• determinadas análises do mosto, com valores mínimos e máximos.
(Esta análise é realizada somente por laboratórios autorizados.)
• análise sensorial que julga um “standart” mínimo para o vinho
• são considerados também pontos como: variedade de uva, vinhedos e ponto de colheita.

Existem também os Tafelwein (vinhos de mesa) considerados de qualidade inferior.

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